{"id":880,"date":"2019-11-13T12:07:00","date_gmt":"2019-11-13T14:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/?p=880"},"modified":"2019-11-13T15:17:44","modified_gmt":"2019-11-13T17:17:44","slug":"campo-paranapiacaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/campo-paranapiacaba\/","title":{"rendered":"Campo Paranapiacaba"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img data-attachment-id=\"881\" data-permalink=\"https:\/\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/campo-paranapiacaba\/paranapiacaba-cyro\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Paranapiacaba-Cyro.jpg?fit=1005%2C670&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1005,670\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Cyro Assahira&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Paranapiacaba Cyro\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Paranapiacaba-Cyro.jpg?fit=300%2C200&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Paranapiacaba-Cyro.jpg?fit=1005%2C670&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-881\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Paranapiacaba-Cyro.jpg?resize=300%2C200\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Paranapiacaba-Cyro.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i2.wp.com\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Paranapiacaba-Cyro.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i2.wp.com\/pesquisa.ufabc.edu.br\/macroamb\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Paranapiacaba-Cyro.jpg?w=1005&amp;ssl=1 1005w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/span><\/p>\n<p>O MacroAmb (Projeto tem\u00e1tico FAPESP Governan\u00e7a Ambiental na Macrometr\u00f3pole Paulista face \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica ) visitou Paranapiacaba, distrito do munic\u00edpio de Santo Andr\u00e9 localizado a cerca de 44 km de S\u00e3o Paulo. A visita foi realizada junto com o movimento SOS Paranapiacaba e permitiu o primeiro contato com a problem\u00e1tica que envolve a constru\u00e7\u00e3o de um complexo log\u00edstico na regi\u00e3o, o que vai resultar em imediatos e duradouros impactos sociais e ambientais.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As \u00e1reas onde existe o plano para o complexo log\u00edstico a ser constru\u00eddo foram visitados pelo grupo. A professora Silvia Passarelli da UFABC e a lideran\u00e7a local Israel M\u00e1rio Lopes apresentaram aspectos hist\u00f3ricos e culturais da regi\u00e3o e o que tem sido estabelecido nos contatos com os empreendedores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A visita teve uma etapa onde o status do licenciamento foi apresentado para as pesquisadoras(es) e comunidade local. Nessa etapa as discuss\u00f5es e as apresenta\u00e7\u00f5es foram partilhadas em roda; moradoras(es) locais apresentaram seus pontos de vista e as preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas com a implanta\u00e7\u00e3o do empreendimento. Muitos membros da comunidade local vivem do turismo local e da monitoria ambiental, assim, uma preocupa\u00e7\u00e3o forte que esteve presente \u00e9 o fato de que o empreendimento log\u00edstico alteraria a fonte de renda para algo incerto ao mesmo tempo que o modo de vida e o cotidiano da cidade sofreriam forte impactos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisadora do MacroAmb Tatiana Rotondaro (Procam-USP) coloca que o conflito de Paranapiacaba encontra-se presente de forma semelhante em muitas comunidades, pois \u00e9 resultante de pol\u00edticas atuantes em um n\u00edvel macro. Estar em rede com outras comunidades e atores permitiria maior for\u00e7a pol\u00edtica para alcan\u00e7ar as reivindica\u00e7\u00f5es estabelecidas no n\u00edvel local.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, o MacroAmb em sua perspectiva interdisciplinar promove a\u00e7\u00f5es que leva o debate junto com a comunidade local com o fim de construir e fornecer subs\u00eddios. Os debates a partir desse caso devem fomentar discuss\u00f5es para outros conflitos territoriais de escopo semelhante presentes na regi\u00e3o da Macrometr\u00f3pole Paulista.<\/span><\/p>\n<p><b>Impress\u00f5es da visita<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Paranapiacaba \u00e9 uma vila hist\u00f3rica, cercada pela Mata Atl\u00e2ntica, localizada na beira da Serra do Mar. Em raz\u00e3o da localiza\u00e7\u00e3o, frequentemente a vila se encontra encoberta por uma n\u00e9voa que se forma em raz\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o da umidade costeira que ao subir a serra se condensa. Com constru\u00e7\u00f5es em arquitetura inglesa, a vila margeia antigos trilhos de trem que s\u00e3o cercados por ru\u00ednas de vag\u00f5es, o que resulta em um cen\u00e1rio bastante \u00fanico. As particularidades de Paranapiacaba colocaram a vila como candidata a patrim\u00f4nio da humanidade pela Unesco.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O acesso por autom\u00f3veis para algumas \u00e1reas \u00e9 realizada por um caminho que n\u00e3o \u00e9 conhecido por quem \u00e9 de fora. Muitas ruas s\u00e3o estreitas e \u00edngremes, o que impossibilita a passagem de ve\u00edculos pesados. A vila n\u00e3o \u00e9 caminho para outros lugares. Assim, h\u00e1 poucos autom\u00f3veis circulando na vila.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Praticamente n\u00e3o h\u00e1 barulhos de ve\u00edculos.\u00a0 N\u00e3o existem sem\u00e1foros. O \u00f4nibus que leva para fora da vila passa de uma em uma hora. No ponto de \u00f4nibus h\u00e1 um estante de livros de acesso p\u00fablico. Os muros que dividem as casas s\u00e3o baixos ou inexistentes, as janelas n\u00e3o possuem grades e muitas portas n\u00e3o ficam trancadas durante o dia. Uma moradora local comenta que a criminalidade \u00e9 praticamente zero. Pelas ruas, as pessoas, moradoras(es), crian\u00e7as, cachorros e visitantes caminham tranquilas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O com\u00e9rcio em sua maioria \u00e9 realizado por moradores locais que permanece com antigos h\u00e1bitos como pequenos mercados e produtos locais como os oriundos do cambuci. N\u00e3o h\u00e1 redes hoteleiras ou franquias comerciais. No centro de informa\u00e7\u00e3o tur\u00edstica o visitante \u00e9 atendido por locais. Com guias locais saem caminhadas pela mata e para cachoeiras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas atividades de renda tende a refor\u00e7ar a subjetividade de pertencimento ao local que se encontram. No \u00e2mbito do turismo ambiental que ocorre na vila existe uma esp\u00e9cie de autogest\u00e3o. A demanda de visitantes \u00e9 distribu\u00edda entre os diversos monitores ambientais que ao mesmo tempo que guiam para as atra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m realizam a fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a chegada do empreendimento log\u00edstico, a vila passa estar exposta a outra din\u00e2mica; novos atores sem liga\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com a vila estariam presentes, muito possivelmente em maior n\u00famero e com maior poder pol\u00edtico que os moradores locais, assim a exist\u00eancia de processos\u00a0 democr\u00e1ticos que visam o bem estar local estariam fortemente amea\u00e7ados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A altera\u00e7\u00e3o das vias de acesso para facilitar a entrada de ve\u00edculos traria um nova din\u00e2mica para a vila; a presen\u00e7a dos ve\u00edculos, a agita\u00e7\u00e3o, a polui\u00e7\u00e3o sonora e atmosf\u00e9rica mudariam completamente a din\u00e2mica que se encontra nas ruas. Al\u00e9m do mais, a estrutura das casas que s\u00e3o de madeiras a base de encaixes e parafusos e elevadas em palafitas para evitar a umidade que vem do solo, estariam amea\u00e7adas com as trepida\u00e7\u00f5es causadas pela passagem dos ve\u00edculos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No \u00e2mbito ambiental, a mata atl\u00e2ntica seria impactada muito al\u00e9m do desmatamento imediato, no primeiro momento o efeito de borda com esp\u00e9cies invasoras tomaria conta da paisagem (o que \u00e9 comum na mata atl\u00e2ntica na regi\u00e3o do litoral paulista), sinais disso era a massiva monodomin\u00e2ncia da esp\u00e9cie ex\u00f3tica <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Hedychium coronarium<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0nos limites da floresta com a vila. O desmatamento e a presen\u00e7a de novas vias de asfalto tamb\u00e9m deve resultar em mudan\u00e7as no microclima local.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A imposi\u00e7\u00e3o neoliberal como um movimento de cima para baixo amea\u00e7a o comum material e o comum que emerge da produ\u00e7\u00e3o social. Possivelmente e como j\u00e1 se observa em espa\u00e7os em que os moradores locais podem se expressar, a subjetividade de pertencimento conviveria com a subjetividade de revolta, o que tem levado para um momento de organiza\u00e7\u00e3o em busca de encontros com outros atores para permitir somar maior for\u00e7a pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O MacroAmb (Projeto tem\u00e1tico FAPESP Governan\u00e7a Ambiental na Macrometr\u00f3pole Paulista face \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica ) visitou Paranapiacaba, distrito do munic\u00edpio de Santo Andr\u00e9 localizado a cerca de 44 km de S\u00e3o Paulo. 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