Presença Feminina

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Relatos femininos sobre como é atuar na área, sobre a pouca presença feminina desse universo, sobre como a tecnologia fez e faz diferença na vida das mulheres.

Clarissa Simoyama

Meu nome é Clarissa Simoyama David, sou graduada em Ciência da Computação pela UFABC e estou terminando meu mestrado em Computação também pela mesma (força guerreira!).

Entrei na UFABC em 2012, mas com pretensão de fazer outro curso, Engenharia de IAR. Depois de algum tempo, percebi que não era bem o que eu queria, e pensei até mesmo em desistir da UFABC. Resolvi ficar mais um quadrimestre, quando conheci minha orientadora, Debora Medeiros, que me apresentou a área da Computação e Inteligência Artificial em 2013 e que, sinceramente, não me vejo trabalhando em área diferente. Logo no começo, sentia que possuía uma certa diferença da turma: a primeira coisa que notei era que a maioria da minha turma era composta por homens, e a segunda coisa que notei é que parecia que todos ali sabiam programar e tinham feito curso técnico. Por sorte, tive um grande amigo, o Charles, que veio me ajudar até mesmo de domingo. Uma lembrança marcante que eu tenho e que tento passar para todos que eu ajudo, é de uma vez que eu perguntei a ele como eu poderia agradecê-lo, e ele me disse as seguintes palavras "agradeça-me da seguinte forma, sempre tente ajudar o próximo quando conseguir, assim como eu fiz com você". Mesmo não tendo as melhores notas, e tendo muitas dificuldades, consegui o que eu considero uma das maiores conquistas: o primeiro lugar do simpósio de iniciação científica em 2016, que ajudou a provar a mim mesma que eu era capaz, ao mesmo tempo que eu consegui ser aprovada no mestrado, tudo isso com o apoio da minha orientadora, amigos, e da minha mãe e avó, mulheres batalhadoras e inspiradoras da minha vida.

Atualmente quis partir para o mercado de trabalho, para ver este lado que não tive a oportunidade de conhecer no período em que estive investindo na carreira acadêmica. É notável a quantidade de poucas mulheres que há na tecnologia, e ainda mais, mulheres negras, trans, e diversas outras minorias, apesar da Computação existir justamente por conta de minorias. Eu mesma já escutei que "não era nem para uma mulher estar aqui" (referente a um trabalho de programação), já levantaram a mão para mim insinuando que me dariam um tapa seguido de um "cala a boca" quando dei um conselho sobre uma parte de um código, mas acredito que, o principal ponto, é justamente não desistir, se tem um obstáculo, ir lá e enfrentar, de cabeça erguida, que pode ter certeza que você não está sozinha.

Camila Sass

Olá! Prazer, eu sou a Camila Sass, atualmente sou Desenvolvedora Full Stack na startup BossaBox e no final de 2018 conclui o Bacharelado em Ciência da Computação na UFABC(uhull!!).
Meu interesse por computação não surgiu desde que eu era criança, muito pelo contrário, eu nem sabia que esse universo existia. A vontade de fazer Ciência da Computação só nasceu quando eu cursei a disciplina Processamento da Informação(PI) na UFABC. A partir desse momento minha vida mudou, eu encontrei algo pelo que realmente sou apaixonada. Na programação eu encontrei um lugar mágico, onde ideias podem sair do plano abstrato e serem concretizadas. Fiquei completamente encantada <3
Sei que o caminho pode ser difícil, afinal, a federal não é fácil, e as salas de aula são dominadas pelos garotos, o que pode assustar no início. Mas, se posso te dar uma dica, diria para você tentar formar uma dupla, um trio, ter algumas pessoas pra fazer as matérias com você ao longo do caminho, isso me ajudou muuito. Ter pessoas legais me apoiando e me ajudando ao longo do curso foi essencial para que eu o concluísse.
Umas das coisas que também me deu forças nos momentos mais difíceis foi a vontade de mostrar que a tecnologia também é lugar de mulher. Pra mim ocupar esse espaço é romper barreiras e abrir portas para que a cada dia tenhamos mais mulheres na área, é trazer um ponto de vista diferente, uma bagagem de vida diferente, é mostrar que as mulheres tem muito o que somar para a área, afinal, experiências diferentes permitem que soluções menos óbvias sejam criadas.
Eu espero que se você tem algum interesse pela área você tente fazer algumas disciplinas, aproveita que na UFABC você tem essa possibilidade. E quanto ao mercado de trabalho, as empresas têm percebido que mulheres são muito importantes no seu time. Existem muitas empresas legais que querem muito contratar mulheres, então vá em frente, venha ser também uma mulher na tecnologia, nós estamos te esperando de braços abertos. Vamos juntas!!

Tainara Ramim

Meu nome é Tainara Ramim, tenho 23 anos e estou cursando Ciência da Computação na UFABC.
Atualmente atuo como Engenheira Mobile no Itaú, trabalhando mais efetivamente com desenvolvimento Android.
Meu contato com a computação começou no ensino médio quando cursei o Técnico em Informática pela Unicamp. Na época eu escolhi o curso simplesmente por não gostar dos outros, mas logo percebi que gostava de fazer aquilo.
Durante esse período eu trabalhava como suporte técnico em uma grande empresa local, mas quando se é a única mulher em uma área inteira você nem sempre tem bons dias de trabalho.
Por conta disso eu entrei na UFABC decidida a seguir em qualquer outra área menos computação.
No meu segundo ano de faculdade eu me vi obrigada a trabalhar pois não tinha mais como me manter em Santo André, e como a única coisa que eu sabia fazer era programar eu comecei um estágio na área.
Foi amor à segunda vista rsrs
Eu redescobri a computação e o amor por isso. Fiquei 2 anos em startups como desenvolvedora Full Stack, atuando com várias tecnologias web e backend. Logo depois resolvi partir para a área de desenvolvimento Mobile, onde estou atualmente, mas com certeza não pretendo parar por aqui...
O que tenho a dizer para as meninas que pretendem seguir nessa carreira é que nem tudo são flores. O caminho infelizmente não é fácil. Sempre nos deparamos com preconceitos e na grande maioria dos casos somos subestimadas. Mas quanto maior o obstáculo maior será a glória de passar por ele.
O mais importante é nunca desistir de ser quem você quer ser. E Saiba que você nunca estará sozinha!!


Mirtha L. F. Venero

Graduação em Ciência da Computação, mestrado em Computação Aplicada, doutorado em Software e pós-doutorado em Computação. Atualmente Profa. Adjunta UFABC e coordenadora de estágios do Bacharelado em Ciência da Computação. Atua nas áreas de desenvolvimento de sistemas, teoria da computação, métodos formais, simulação e verificação, linguagens de programação e compiladores, tecnologias e jogos para a educação, gênero e tecnologia. "Sou cubana e tive uma educação muito boa. Adorava ler, assistir tv e brincar de tudo. Meus pais sempre foram muito exigentes com meus estudos e fiz o fundamental II e ensino médio numa escola interna de ciências exatas. No início queria estudar todas as ciências! Adoro a matemática, queria ser física (na verdade astronauta), tenho paixão pela química e a genética. Porém, sou muito distraída, sempre errava alguma conta e sou péssima para decorar. Até tentei ir pelo caminho da eletrônica mas queimava os circuitos. Sempre tive professoras excelentes. Mas foi minha professora Teresa que me conduziu pelo maravilhoso caminho da Computação e me mostrou que ela faz parte de tudo. Por isso, decidi ingressar na Licenciatura em Ciência da Computação. A minha turma foi a primeira do curso, no recém formado Departamento de Computação, e inicialmente tinha 13 meninas e 17 meninos. O melhor professor que eu tive em toda a minha vida, Alexis González, foi meu professor de Lógica Matemática durante o primeiro semestre. Anos depois, já sendo colegas de trabalho, ele me confessou que fizeram uma aposta de quem da turma desistiria mais rápido e ele apostou que seria eu. Mesmo tendo uma boa base matemática, esse primeiro ano foi muito difícil. Em casa estudava no chão porque na mesa não cabiam tantos livros e cadernos. Os meus familiares me diziam que ia ficar louca de tanto estudar. Mas me formei cum laude, um ano antes do tempo sendo a melhor da minha turma 🙂 Ao começar como professora na UFABC percebi o pequeno número de meninas nas salas de aulas. Até então não tinha refletido sobre a grande desigualdade de gênero na Computação e na Tecnologia. Ao aprofundar no tema, percebi que o sistema patriarcal fez com que, até hoje, seja difícil para muitas meninas, em especial pobres ou negras, conciliar casa, estudo, trabalho e seus desejos e aspirações pessoais como mulheres. Porém, minha mensagem para todas elas é: sejam corajosas e não desistam de fazer o que vocês quiserem, criem sua própria fila de prioridades e peçam, aceitem e ofereçam ajuda. Vocês são mais fortes do que imaginam e juntas seremos muito mais!”