Projeto Softwares Culturais

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Softwares Culturais

DESCRIÇÃO RESUMIDA

Este é o primeiro projeto do LabLivre da UFABC. A partir de uma abordagem interdisciplinar e utilizando métodos e técnicas de pesquisa qualitativas e quantitativas, bem como, utilizando procedimentos experimentais, será realizado o mapeamento e estudo dos softwares culturais utilizados pelos agentes culturais, aqui considerados como produtores, artistas e coletivos de ação cultural. O projeto terá duas fases. A primeira mapeará os softwares culturais e a segunda, fará o estudo das funcionalidades, das características e dos elementos que compõem os softwares mais utilizados. Em seguida, serão comparadas as soluções mais utilizadas com softwares livres similares.

JUSTIFICATIVA

A criação, produção e distribuição de bens culturais cada vez mais é dependente de recursos tecnológicos, principalmente softwares. O pesquisador e artista Lev Manovich tem denominado de softwares culturais os programas que são indispensáveis para o nosso cotidiano cultural. Estes podem seguir um modelo fechado e controlado por corporações distantes de nossa realidade ou podem ser abertos e desenvolvidos de acordo com nossos interesses e nossas tendências culturais. Neste sentido, existem os softwares culturais livres que avançam e contribuem para a ampliação da nossa diversidade cultural e de nossa riqueza criativa.

Grande parte destes softwares culturais livres são desenvolvidos por comunidades transnacionais com dinâmicas específicas e sua maioria possui colaboradores importantes residentes no país. Com qualidades bastantes distintas entre eles, os softwares culturais livres podem ser melhorados e adequados às necessidades dos criadores e produtores de cultura brasileiros. Para isto é necessário mapear as características e funcionalidades destes softwares, bem como, as carências, reivindicações e tendências criativas dos pontos de cultura, dos movimentos culturais, enfim dos nossos produtores culturais. O resultado deste estudo pode apoiar a formulação de políticas públicas adequadas ao incentivo de soluções tecnológicas que alavanquem a produção cultural brasileira.

A convenção da Unesco reconheceu a necessidade de adotar medidas para proteger a diversidade das expressões culturais e enfatizou também a relação estratégica entre cultura e desenvolvimento sustentável. As manifestações e as expressões livres e libertadoras da cultura digital constituem recursos indispensáveis e essenciais para assegurar a diversidade geral das expressões culturais de nossas sociedades.

A cultura digital também pode contribuir com outros desafios no âmbito do governo federal. É sabido que o modelo de desenvolvimento de software baseado na aquisição de serviços continuados, por meio de grandes de licitações para fábricas de software, já não consegue mais sanar as necessidades da Administração Pública Federal. Os modelos mais comuns de produtividade baseada na entrega de pontos de função, ou calculados pela quantidade de unidades de serviço técnico empenhadas na sua produção, não conseguem oferecer uma forma de romper os paradigmas da era analógica para que os serviços públicos sejam pensados dentro de uma nova concepção, baseada em serviços digitais para os cidadãos.

Isso decorre não apenas da ineficiência do modelo de contratação, baseado na entrega pelo menor preço, o que coloca os gestores públicos na função de tentar dirimir as possibilidades de entregas de baixa qualidade, e também não decorre apenas por conta das metodologias de desenvolvimento de software aplicadas nos projetos geridos na APF, mas principalmente pela falha na concepção do que de fato é a produção de software.

O processo de desenvolvimento de software é um processo que visa conhecer e melhorar os procedimentos de uma determinada ação produtiva, com o objetivo de colocar a tecnologia existente, ou desenvolver nova tecnologia, para auxiliar a execução do processo produtivo, de forma a torná-lo mais simples, rápido e mais seguro. Quando se repensa um processo produtivo, não estamos apenas falando de uma reengenharia social, mas sim de um aporte de criatividade para repensar o que já existe, ou imaginar o que precisa existir.

Dessa forma, é possível perceber que um processo de desenvolvimento de software que seja pensado para oferecer um novo paradigma de relação entre a sociedade e o Estado, que tenha como objetivo melhorar os processos produtivos da Administração Pública Federal, não pode ser pensado como um serviço continuado, mas sim como um processo de inovação, que precisa se alicerçar na sua capacidade de receber contribuições criativas da academia e da sociedade, de forma estruturada, mas também flexível o suficiente para não impedir os avanços tecnológicos necessários para o seu sucesso.

Por isso é necessário pensar as necessidades de sistemas da informação do Ministério da Cultura como insumos para o desenvolvimento de soluções livres, que possam também atender outras necessidades semelhantes no âmbito de instituições públicas. Visando assim não apenas economizar recursos de desenvolvimento de software, mas principalmente envolver a sociedade e as comunidades de desenvolvimento de softwares livres, no desafio de propor novas soluções para resolver os déficits e as contradições nas relações entre o cidadão e o Estado.

OBJETIVOS

Objetivo Geral:

Apresentar soluções para a criação, armazenamento, distribuição e produção cultural desenvolvidas com software aberto e livre que possam ser incentivadas pelo Poder Público e utilizadas amplamente pela sociedade.

 

Objetivos Específicos:

Mapear os softwares culturais, proprietários e livres, utilizados pelos artistas, produtores, instituições e movimentos culturais em suas práticas cotidianas, bem como as implicações que os formatos proprietários trazem para a comunicabilidade e interoperabilidade dos acervos e bens artístico culturais;
Identificar as principais funcionalidades, usabilidade e caracteristicas dos softwares culturais mais utilizados, bem como organizar modelos consistentes de comparação entre as soluções proprietárias que tenham similares livres;
Pesquisar demandas e propostas de apoio ao desenvolvimento colaborativo de software livre empregados nas atividades de criação, produção, distribuição e compartilhamento de bens culturais no Brasil;
Identificar metodologias de desenvolvimento de software capazes de garantir qualidade de software, usabilidade de interfaces, celeridade nas entregas de softwares funcionais e participação social no processo de produção de soluções livres para o poder público;
Realizar seminários sobre os resultados, benefícios e desafios encontrados no desenvolvimento compartilhado de soluções livres;
Propor mediadas de melhoria e incentivo ao desenvolvimento de softwares culturais livres dentro de uma estratégia que envolva os setores público, as universidades e as comunidades de desenvolvimento.

METODOLOGIA

Serão empregadas técnicas de pesquisa exploratória executadas a partir de um formulário online e de entrevistas de profundidade com importantes agentes do universo cultural. Também serão realizadas entrevistas estruturadas com artistas, produtores e coletivos envolvidos com a criação e organizaão de atividades artistico-cuturais, bem como, com os coletivos de desenvolvedores de tecnologias.
A Teoria Ator-Rede será empregada para compreender os processos de implantação das redes de usuários de uma solução e de desenvolvedores, bem como para entender a totalidade dos elementos que interferem e consolidam o cotidiano do fazer e viver da cultura e das artes.
As técnicas de análise de software serão escolhidas a partir de modelos testados na ciência da computação e da engenharia da informação.

ACOMPANHE O ANDAMENTO DO PROJETO POR MEIO DOS RELATÓRIOS
Relatório - Descrição do projeto
Relatório - Softwares
Relatório - Comunidades